terça-feira, 23 de agosto de 2011

Retreta do Apocalipse promove saúde cultural na Cruzada São Sebastião no Leblon no último domingo.

No último domingo, 21 de agosto, o Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde realizou ensaio com o Conjunto Experimental Retreta do Apocalise e o Teatro de Revista Científica na Cruzada São Sebastião no Leblon como atividade de preparação para a grande Celebração da Saúde e da Cidadania a ser realizada com essa importante comunidade carioca em Outubro por iniciativa do Programa de Saúde da Família da Cruzada São Sebastião através de sua Gerente Lara Lima e apoio da Coordenadora da Área Paula Travassos. Esse convite revelou uma das histórias mais fortes de luta e resistência de uma comunidade contra os abusos e desmandos de uma urbanização desordenada, comandada pela especulação imobiliária e não pelo respeito ao ser humano. A Cruzada é propriamente produto de uma luta de proporções épicas lideradas por um profeta, um homem santo de nosso tempo, o Irmão dos Pobres, o arcebispo católico cearense, Dom Helder Câmara, que empreendeu luta de vida inteira em favor dos oprimidos, indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz, perseguido pela ditadura militar, foi removido à força do Rio de Janeiro para Recife, foi censurado, banido da mídia brasileira pelos militares, e resistiu sempre a favor daqueles que a sociedade decidiu, nas altas rodas, remover para regiões remotas da cidade, arrancando comunidades inteiras de suas raízes, história e patrimônio cultural. Além de toda uma teia complicada de casos de incêndios criminosos e ataques às comunidades que compunham a Favela da Praia do Pinto, que tinha na época de fundação da Cruzada, 1957, sete mil moradores, mas que cresceu muito apesar das remoções para a própria Cruzada São Sebastião, liderada por Dom Hélder, e através das gestões do governo do estado da Guanabara e depois, estado Rio para outras COHABs como a Cidade de Deus, a Vila Kennedy, entre outras. Casos de comunidades inteiras forçadas abandonarem seus locais de residência com a formação, desde antes de então, de comunidades "guetizadas", subúrbios distantes, composta por descendentes de escravos, e posteriormente nordestinos, isoladas geograficamente e culturalmente das "altas" sociedade e cultura , que vão lutando e resistindo para construirem-se a revelia do processo de marginalização e opressão, cujo reflexo mais cruel é a extrema violência e degradação humana que tais comunidades "guetizadas" da cidade sistematicamente exibem, com imediato reflexo na saúde pública e na qualidade de vida desses cidadãos. Com a Cruzada São Sebastião, uma comunidade singularíssima por sua história, observamos e estamos trabalhando nos paralelos e divergências das histórias das comunidades cariocas. Com foco nas manifestações culturais e patrimônio principalmente humano preservado nessas coletividades como ferramenta de promoção da saúde, educação popular e cidadania.
Devemos sublinhar que estamos falando de uma importantíssima matriz do povo brasileiro e de capítulos históricos da vida recente brasileira e carioca. Estamos trabalhando com matrizes resistentes da cultura brasileira, responsáveis por aspectos fundadores de nossos costumes como o Samba, o Carnaval, as Escolas de Samba, o movimento musical e artístico, religioso, as estratégias de organização comunitária adotadas pelo grupo de Dom Hélder e pelas próprias mulheres da comunidade.
Estamos trabalhando com um especial grupo de mulheres, matriarcas dessa comunidade, que contam uma história de lutas, fé, solidariedade, companherismo, a luta de um povo em formação contra uma máquina colonizatória violenta e racista, que impede o desenvolvimento do povo brasileiro aos seus plenos pulmões, pois importa um modelo de ser humano que já está mais do que caduco, está destruindo a humanidade e o planeta.
Na Celebração da Saúde de Outubro, apresentaremos essa história narrada em nosso Teatro de Revista Científica e com composições e direção musical de Alexandre Schubert e com a Música executada pela aclamada Retreta do Apocalipse. Apresentando os personagens dessa história nossa, com a cantora descoberta no grupo das Mães da Cruzada, Arlete dos Santos que aos 78 anos preserva uma memória musica e uma voz de cantora guerreira.
Quem viver, verá. Os Agentes Culturais de Saúde e os demais profissionais de saúde são bem vindos para participar e contribuir com essa construção possível de nosso espetáculo teatral público, nossa Liturgia.
Participaram do ensaio os músicos retreteiros, Dudu Louro no teclado, Azael Neto na Guitarra, Marina Bonfim na Flauta, Emerson Costa no Saxofone, André Silvestre na Bateria, César Bonam no Clarinete, Luiz Conceição no Baixo e Reinaldo Godoy no Trompete, o Maestro Alexandre Schubert, o facilitador Vitor Pordeus, Joel Ribeiro na produção, a fotógrafa Marina Faissal dessa vez filmando,  Marcinha Fraga nas fotos em anexo e outros moradores da Cruzada como Dona Irene e seu filho Sami, o Presidente da Associação de Moradores da Cruzada que inclusive tem um Museu virtual sobre a Cruzada, Joel Nonato, Dona Geneci, Dona Dulce, Dona Conceição, e outros moradores como Seu Pereira que apareceram de surpresa. Foi uma festa com Arlete cantando músicas históricas da Favela da Praia do Pinto e da Cruzada como "Obrigado Reverendo" homenagem feita a Dom Hélder quando removido para Recife. Produzimos saúde cultural numa tarde chuvosa na Cruzada São Sebastião no Leblon. 
As reuniões tem sido as quintas feiras, 17 horas, no Bloco 6 e os ensaios aos domingos 14 horas de 15 em 15 dias até outubro quando apresentaremos nossos experimentos ao público. Informações e confirmações: 29761662, Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde.
Saúde cultural pública. Estamos construindo o possível.

Vitor Pordeus
Agente Cultural de Saúde e Repórter Cidadão Científico
Universidade Popular de Arte e Ciência.
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Vitor Pordeus
Facilitador
Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde
Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil
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