quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mundo grande de Carlos Drummond de Andrade


Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mobilizacao pela Educacao Popular no Complexo do Alemao

Companheiros,
Na proxima sexta as 10 da manha na rua Engenheiro Efren Dantas ao lado da UPA da Estrada do Itararé estaremos envolvidos numa manifestacao publica pela Educação Popular e Saúde.
Entidades da comunidade como a Nascibem, Jornal Voz da Comunidade, A Escola Popular de Saúde, grupo articulador local Transformando a minha Vida, estao convocando os cidadãos em prol da educacao popular num momento de crise e possibilidade como que estamos vivendo nas comunidades do Complexo do Alemão. Sua presenÇa é fundamental.
Nós da secretaria de saúde queremos intensificar a política da Terapia Comunitária e Educação Popular que já foi iniciada no Complexo, e todo o apoio é pouco. É hora de nos unirmos nessa construção complexa, possível e necessária da Educação Popular. Estamos em movimento.
Há a luta por parte da comunidade da construção de uma Escola de ensino fundamental num terreno ocupado por um ferro velho, uma luta antiga de 20 anos, a manifestação será próxima a esse espaço. Quem puxa é a nossa querida Mariza Nascimento, Agente Comunitária de Saúde, militante da Educação Popular de longa data e integrante da rede da Universidade Popular de Arte e Ciência.

Um abraco
Vitor



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Vitor Pordeus
Coordenador
Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde
Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil
Rua Afonso Cavalcanti, 455/ 701, Bloco I, Cidade Nova CEP 20211-110
Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
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