segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Carnavalização como linguagem de construção da saúde

1- Fonte: Bakhtin M. A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento Ed. UNB
Na realidade, a função do grotesco é liberar o homem das formas de necessidade inumana em que se baseia a idéia dominante sobre o mundo.
O grotesco derruba essa necessidade e descobre seu caráter relativo e limitado.
A necessidade apresenta-se num determinado momento como algo sério, incondicional e peremptório. Mas historicamente as idéias de necessidade são sempre relativas e versáteis. O riso e a visão carnavalesca do mundo, que estão na base do grotesco, destroem a seriedade unilateral e as pretensões de significação incondicional e intemporal e liberam a consciência, o pensamento e a imaginação humana, que ficam assim disponíveis para o desenvolvimento de novas possibilidades. Daí que uma certa “carnavalização” da consciência precede e prepara sempre as grandes transformações, mesmo no domínio cientifico.


2- Fonte: Berthold M. História Mundial do Teatro Ed. Perspectiva
Comedia dell’ arte – Comedia da habilidade. Isto que dizer arte mimética segunda a inspiração do momento, improvisação ágil, rude e burlesca, jogo teatro primitivo tal como na Antiguidade os atelanos haviam apresentando em seus palcos itinerantes: o grotesco de tipos segundo esquemas básicos de conflitos humanos, demasiadamente humanos, a inesgotável, infinitamente variável e, em última análise, sempre inalterada matéria prima dos comediantes no grande teatro do mundo. Mas isto também significa domínio artístico dos meios de expressão do corpo, reservatórios de cenas prontas para apresentação e modelos de situações, combinações engenhosas, adaptação espontânea do gracejo do momento.