segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Carta aqueles que sofrem ou Liberdade já: só não pode ferir a ética nem a vida.

Carta aqueles que sofrem ou Liberdade já: só não pode ferir a ética nem a vida.

 

Irmãos que sofrem, irmão que estão em pior situação, não se desesperem, nós, o povo brasileiro, resistimos, estamos resistindo e vamos continuar resistindo. O resultado disso é o processo civilizatório atravessado pela violência, o caos urbano, o abuso, o medo e a desesperança da maioria, dominados por um poderoso sistema de imbecilização humana, montado com celebridades feitas em laboratório e cultura de máquina, que infiltra o cérebro de classes inteiras que vão convertendo-se a seres humanos cada vez mais servis encontrando no álcool e no crack uma saída viável para tanta miséria.

As pressões destrutivas são muitas e muito poderosas, é preciso que aprendas a pensar, que aprendas a refletir sobre seus problemas em conjunto, coletivamente se debruçar sobre aquilo que impede a vida justa e livre na Terra. Ver que nossos problemas são velhos e tem soluções conhecidas. Que há outras maneiras de se pensar, explicar e expressar o mundo, abrindo toda uma quantidade de soluções tecnológicas já disponíveis que impactariam de forma definitiva na vida das grandes populações pobres, oprimidas, sem oportunidades de se desenvolver e ir a diante.

Tudo isso em nome de um projeto científico de nação colonizador, rigorosamente importado, com roupas importadas, shoppings importados, cultura importada, ciência importada, estereótipos estéticos importados, padrão de beleza importado e nenhuma honestidade pois seus agentes e representantes em solo nacional avançam por cima do povo sem respeitá-lo em nenhum espaço. Ou se juntam ao modo de vida predatório e consumista, ou é destruído pela máquina, sendo necessário para sobreviver verdadeiro rigor intelectual, disciplina espiritual para se distinguir a verdade sobre a natureza e a farsa autoritária que se ergueu sobre o ocidente.

 

Só a antropofagia nos une. Cientificamente. Ideologicamente. Nós somos um povo resistente que fez a cultura popular mais exuberante do mundo a revelia dessa invasão colonizatória que apesar de viver nababescamente nunca teve competência cultural de desbancar as manifestações corporais, antropológicas, espirituais, humanas que nos distinguem enquanto povo, enquanto nação mestiça composta por todos os povos da Terra, singularidade viva, povo formado pelas forças da história e do inconsciente coletivo, herdeiro de arquétipos de grandes culturas, caldeirão de experimento cultural e antropológico que revela aquilo que sabemos nos fazer orgulho de sermos brasileiros, nosso afeto, nossas relações humanas, nossa conexão com a natureza e suas forças sagradas, nossa tolerância, muitas vezes excessiva e permissiva, colonial, inferiorizada por esse mecanismo artificial produzido pelo marketing cultural que invadiu todos os espaços.

 

Para mudar é necessário mudar o conhecimento. O conhecimento, os modelos, os paradigmas científicos de nossa era é quem informam e endossam as ações dos cidadãos da classe gestora que oriundos das universidades, por sua vez só acessíveis às classes privilegiadas, decidem o destino das cidades e das nações com base em sua visão de mundo estreita e gananciosa, sempre pautada por um projeto pessoal de poder e de colonização do país inclusive com remessas de dinheiro ao exterior e submissão comercial, cultural e científica. O que vem de fora é sempre melhor. Com isso somos forçados a submergir todo um conjunto de talentos humanos, patrimônios científicos e culturais inteiros de um país de gigantesca singularidade como o Brasil. E assim essa nação desconhece que produziu gênios e revoluções, e nomes como Paulo Freire, Nise da Silveira, Augusto Boal, Haity Moussatché, Nelson Vaz, Amir Haddad, Milton Santos, e tantos outros brasileiros, que nunca nem saberemos os nomes, e que seu povo está historicamente anestesiado e impedido de sabe-los, porque eles, em certo momento de suas carreiras, decidiram trilhar o caminho a favor da humanidade, da vida, da natureza.

 

 - Nise, aperte o botão.

 

 - Não aperto.

 

 - Como assim? Você tem que aplicar a eletroconvulsoterapia.

 

- Não aperto. Não sou capaz de infligir uma violência a outro ser.

 

E aí começou a rebelde. E a cientista brasileira fez luz nas trevas. Transformou seu impulso rebelde num dos mais importantes métodos de promoção da saúde humana do mundo, com impressionantes resultados, únicos, no campo da esquizofrenia crônica e corroborado com outros autores, na saúde humana, disponível no maior museu de arte e loucura do mundo, o Museu de Imagens do Inconsciente, com mais de 350 mil obras, no Engenho de Dentro, subúrbio do Rio de Janeiro.

O exercício criativo é essencial para a saúde humana, para a prática da liberdade, para a superação da opressão, e a habilidade de criar e recriar o mundo a sua volta.

Não há dúvidas, é possível, é uma questão de linguagem, mudanças na linguagem, mudanças nas coordenações de conduta, nas palavras, nos conjuntos de ideias, nos paradigmas científicos que, volto a dizer, impregnam as mentes e os corações. Esta muito mais perto do que pensamos. Está perto, dentro de cada um, as forças autocurativas, as forças autoprodutivas, a organização do vivo e todas as suas manifestações. É esse o princípio vital ordenador que nos empurra para nossas vocações como o prazer da companhia, a poesia, a música, o teatro, a medicina, a alegria, a cura. Não há dúvidas, a experiência demonstra. Espalhem a mensagem.


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Vitor Pordeus

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Retreta do Apocalipse promove saúde cultural na Cruzada São Sebastião no Leblon no último domingo.

No último domingo, 21 de agosto, o Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde realizou ensaio com o Conjunto Experimental Retreta do Apocalise e o Teatro de Revista Científica na Cruzada São Sebastião no Leblon como atividade de preparação para a grande Celebração da Saúde e da Cidadania a ser realizada com essa importante comunidade carioca em Outubro por iniciativa do Programa de Saúde da Família da Cruzada São Sebastião através de sua Gerente Lara Lima e apoio da Coordenadora da Área Paula Travassos. Esse convite revelou uma das histórias mais fortes de luta e resistência de uma comunidade contra os abusos e desmandos de uma urbanização desordenada, comandada pela especulação imobiliária e não pelo respeito ao ser humano. A Cruzada é propriamente produto de uma luta de proporções épicas lideradas por um profeta, um homem santo de nosso tempo, o Irmão dos Pobres, o arcebispo católico cearense, Dom Helder Câmara, que empreendeu luta de vida inteira em favor dos oprimidos, indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz, perseguido pela ditadura militar, foi removido à força do Rio de Janeiro para Recife, foi censurado, banido da mídia brasileira pelos militares, e resistiu sempre a favor daqueles que a sociedade decidiu, nas altas rodas, remover para regiões remotas da cidade, arrancando comunidades inteiras de suas raízes, história e patrimônio cultural. Além de toda uma teia complicada de casos de incêndios criminosos e ataques às comunidades que compunham a Favela da Praia do Pinto, que tinha na época de fundação da Cruzada, 1957, sete mil moradores, mas que cresceu muito apesar das remoções para a própria Cruzada São Sebastião, liderada por Dom Hélder, e através das gestões do governo do estado da Guanabara e depois, estado Rio para outras COHABs como a Cidade de Deus, a Vila Kennedy, entre outras. Casos de comunidades inteiras forçadas abandonarem seus locais de residência com a formação, desde antes de então, de comunidades "guetizadas", subúrbios distantes, composta por descendentes de escravos, e posteriormente nordestinos, isoladas geograficamente e culturalmente das "altas" sociedade e cultura , que vão lutando e resistindo para construirem-se a revelia do processo de marginalização e opressão, cujo reflexo mais cruel é a extrema violência e degradação humana que tais comunidades "guetizadas" da cidade sistematicamente exibem, com imediato reflexo na saúde pública e na qualidade de vida desses cidadãos. Com a Cruzada São Sebastião, uma comunidade singularíssima por sua história, observamos e estamos trabalhando nos paralelos e divergências das histórias das comunidades cariocas. Com foco nas manifestações culturais e patrimônio principalmente humano preservado nessas coletividades como ferramenta de promoção da saúde, educação popular e cidadania.
Devemos sublinhar que estamos falando de uma importantíssima matriz do povo brasileiro e de capítulos históricos da vida recente brasileira e carioca. Estamos trabalhando com matrizes resistentes da cultura brasileira, responsáveis por aspectos fundadores de nossos costumes como o Samba, o Carnaval, as Escolas de Samba, o movimento musical e artístico, religioso, as estratégias de organização comunitária adotadas pelo grupo de Dom Hélder e pelas próprias mulheres da comunidade.
Estamos trabalhando com um especial grupo de mulheres, matriarcas dessa comunidade, que contam uma história de lutas, fé, solidariedade, companherismo, a luta de um povo em formação contra uma máquina colonizatória violenta e racista, que impede o desenvolvimento do povo brasileiro aos seus plenos pulmões, pois importa um modelo de ser humano que já está mais do que caduco, está destruindo a humanidade e o planeta.
Na Celebração da Saúde de Outubro, apresentaremos essa história narrada em nosso Teatro de Revista Científica e com composições e direção musical de Alexandre Schubert e com a Música executada pela aclamada Retreta do Apocalipse. Apresentando os personagens dessa história nossa, com a cantora descoberta no grupo das Mães da Cruzada, Arlete dos Santos que aos 78 anos preserva uma memória musica e uma voz de cantora guerreira.
Quem viver, verá. Os Agentes Culturais de Saúde e os demais profissionais de saúde são bem vindos para participar e contribuir com essa construção possível de nosso espetáculo teatral público, nossa Liturgia.
Participaram do ensaio os músicos retreteiros, Dudu Louro no teclado, Azael Neto na Guitarra, Marina Bonfim na Flauta, Emerson Costa no Saxofone, André Silvestre na Bateria, César Bonam no Clarinete, Luiz Conceição no Baixo e Reinaldo Godoy no Trompete, o Maestro Alexandre Schubert, o facilitador Vitor Pordeus, Joel Ribeiro na produção, a fotógrafa Marina Faissal dessa vez filmando,  Marcinha Fraga nas fotos em anexo e outros moradores da Cruzada como Dona Irene e seu filho Sami, o Presidente da Associação de Moradores da Cruzada que inclusive tem um Museu virtual sobre a Cruzada, Joel Nonato, Dona Geneci, Dona Dulce, Dona Conceição, e outros moradores como Seu Pereira que apareceram de surpresa. Foi uma festa com Arlete cantando músicas históricas da Favela da Praia do Pinto e da Cruzada como "Obrigado Reverendo" homenagem feita a Dom Hélder quando removido para Recife. Produzimos saúde cultural numa tarde chuvosa na Cruzada São Sebastião no Leblon. 
As reuniões tem sido as quintas feiras, 17 horas, no Bloco 6 e os ensaios aos domingos 14 horas de 15 em 15 dias até outubro quando apresentaremos nossos experimentos ao público. Informações e confirmações: 29761662, Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde.
Saúde cultural pública. Estamos construindo o possível.

Vitor Pordeus
Agente Cultural de Saúde e Repórter Cidadão Científico
Universidade Popular de Arte e Ciência.
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Vitor Pordeus
Facilitador
Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde
Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil
Rua Afonso Cavalcanti, 455/ 701, Bloco I, Cidade Nova CEP 20211-110
Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
tel/fax: 55-21-29761662
culturaeciencia@smsdc.rio.rj.gov.br
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http://twitter.com/nccssmsdc
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

1o Congresso Aberto da Universidade Popular de Arte e Ciência



O CAOS APARENTE E O ENTENDIMENTO HUMANO
Por Ray Lima



O primeiro congresso da Universidade Popular de Arte, Ciência e Cultura ocorrido nos dias 7 e 8 de julho de 2011, no Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro, demonstrou que em alguma medida estamos construindo espaços de comunicação e entendimento humano capazes de minimizar o quadro atual de diáspora, indiferença e produção da violência entre as pessoas e entre estas e os ambientes naturais. Diante desse contexto “só os lacaios ficam indiferentes.”

Por um lado, o diferencial se deu pelo ritual de horizontalidade que o encontro produziu. Também pelo fato de não se partir de discursos premeditados, impregnados de certezas e lugares comuns como palestras e oficinas amarrados em uma programação rígida e desigual, como é comum aos congressos, simpósios e seminários, onde a maior parte do tempo é reservada aos medalhões e “detentores do conhecimento.” Por outro lado, mesmo se tratando de um espaço fechado, separatista como é o palco italiano, que divide os atores do público, criando um fosso claro entre os que atuam, produzem, encantam e os que assistem passivamente e admiram o espetáculo, essa lógica foi quebrada por conta da intencionalidade e da cultura de rompimento com o status quo, com o estabelecido por parte tanto dos que organizaram quanto daqueles que participaram desta festa reflexiva, arte-científica, popular e produtora de sentidos.

Uma festa anímica e alquímica onde se cruzaram Mãe Tânia com Vera Dantas, Nelson Vaz com Amir Haddad, José Pacheco com Ângela Antunes e Vitor Pordeus, Júnio Santos com Heloísa Helena e Sérgio, Francisco Gregório com o samba e o candomblé. O que vivenciamos no Teatro Carlos Gomes foi uma profusão de linguagens manifestando sentimentos de mundo articulados às práticas cotidianas de cada experiência ali presentificadas no tempo livre dos atos manifestos que iam dando sentido ao que podemos considerar libertador, vital. Na verdade, uma jornada de “discursos inspiradores”, no dizer de Vitor Pordeus, entrecruzando saberes diversos e modos de dizer que poderia se realizar no morro do Pavão Pavãovinho ou do Urubu-RJ, no Conjunto Palmeiras-Fortaleza-CE, nas praças de Janduís-RN, na África, na Índia em quaisquer lugares investido de vontade política.

Um verdadeiro Escambo, uma travessia do mundo cartesiano, fechado e previsível ao universo simbólico, aberto e imprevisível das artes e das manifestações populares. Aprendemos que a partir do simples alimentamos grandes sonhos, que é daí que grandes rios, lagos e oceanos surgem e são realimentados constantemente. Um encontro re-humanizante, uma manifestação da experiência coletiva e do saber singular dos sujeitos imbricados na tarefa de repensar e reconstruir os caminhos da arte, da ciência, da vida; a expressão do desejo de transformação de uma sociedade doente que insiste em conservar suas feridas com placas de gordura ou drogas paliativas que submetem populações inteiras a migalhas descartáveis de consumo fácil e irresponsável.

Mais do que um congresso, um congraçamento, deixando a gente acreditar que em meio ao aparente caos é possível extrair daí o entendimento necessário à vida em sociedade.



“os espaços têm cheios[i]

vãos se fuis, pontas e meios

veias e veios

vazios não vazios não



os espaços da vida

os espaços têm vida

não são em vão

vazios não vazios não vazios

domingo, 19 de junho de 2011

Saúde, multiculturalidade e 'sonhação'.



Experimentar o experimental: Encontro de sistematização científica de representantes do grupo Cirandas da Vida/ Sistema Municipal Saúde Escola, Fortaleza e Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde, Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro.
Participam: a médica e educadora popular Vera Dantas, o poeta, escritor e ator Ray Lima, os Cirandeiros e educadores populares Josenildo Nascimento, Jair Soares, Edson Oliveira e Mayana Dantas, e o médico pesquisador Vitor Pordeus.
Mais informações:
cirandasdavida.blogspot.com

domingo, 29 de maio de 2011

Celebração da Saúde e da Cidadania Pavão, Pavãozinho, Cantagalo

Celebração da Saúde e da Cidadania: Dois anos e meio de integração Cultura, Saúde, Segurança pública, meio-ambiente. É o inédito possível. Deu certo mais uma vez. Na apresentação falamos da importância da segurança pública e da democracia, falamos sobre cultura, conhecimento, e organização crítica e criativa dos homens. Apresentamos os personagens e a história da comunidade, atores públicos, ongs, parceiros cooperativos como a Super Rádio Tupi e Nativa. Isso debaixo de chuva esparsa, num sábado em ipanema, juntamos grande público, ao longo da manhã, em torno de 800 pessoas. Um espetáculo singular, integrador, promotor da saúde e da cidadania, acoplado no processo de educação popular catalisado pelo Agente Cultural de Saúde, e a Unidade Cultural de Saúde / Clínica da Família Pavão/Pavãozinho/Cantagalo. Metodologias científicas de promoção da saúde totalmente disponíveis para transferência cooperativa e em fase de publicização. As imagens valem por mil palavras.
Agradecemos divulgação e colaboração.
Atenciosamente,

Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde
SMSDC/GAB/NCCS
 



terça-feira, 24 de maio de 2011

Fwd: Nota de faleimento



---------- Forwarded message ----------
From: Louise Mara Santos da Silva <louisesilva@gmail.com>
Date: 2011/5/24
Subject: Nota de faleimento
To:


 
Faleceu nesta manhã de terça, 24, no Rio de Janeiro,  o escritor Abdias do Nascimento. Poeta, político, artista plástico, jornalista, ator e diretor teatral, Abdias foi um corajoso ativista na denúncia do racismo e na defesa da cidadania dos descendentes da África espalhados pelo mundo. O Brasil e a Diáspora perdem hoje um dos seus maiores líderes. A família ainda não sabe informar quando será o enterro. Aos 97 anos, o paulista de Franca, passava por complicações que o levaram ao internamento no último mês. Deixa a esposa Elisa Larkin,  filhos e uma legião de seguidores, inspirados na sua trajetória de coragem e dedicação aos direitos humanos. (Redação, Correio Nagô)

Foto: doolharnegro.blogspot.com

 

 

ABDIAS DO NASCIMENTO


Nascido em Franca, São Paulo, 14 de março de 1914.

 

Professor Emérito, Universidade do Estado de Nova York, Buffalo (Professor Titular de 1971 a 1981, fundou a cadeira de Cultura Africana no Novo Mundo no Centro de Estudos Porto-riquenhos).

Artista plástico, escritor, poeta, dramaturgo.

 


Formação acadêmica

 

Bacharel em Economia, Universidade do Rio de Janeiro, 1938.

Diploma pós-universitário, Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), 1957.

Pós-graduação em Estudos do Mar, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro/ Ministério da Marinha, 1967.

Doutor Honoris Causa, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1993.

Doutor Honoris Causa, Universidade Federal da Bahia, 2000.

Doutor Honoris Causa, Universidade do Estado da Bahia, 2008




Cargos Eletivos e Executivos Exercidos

 

Deputado federal (1983-86).

Secretário de Estado, Governo do Rio de Janeiro, Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (SEAFRO) (1991-1994).

Senador da República (1991-99). Suplente do Senador Darcy Ribeiro, assumiu a cadeira no Senado, representando o Rio de Janeiro pelo PDT em dois períodos: 1991-1992 e 1997-99.

Secretário de Estado de Direitos Humanos e da Cidadania, Governo do Estado do Rio de Janeiro, 1999. Coordenador do Conselho de Direitos Humanos, 1999-2000.



Atividades e Realizações Principais

 

1930-1936. Alista-se no Exército, e na capital de São Paulo participa da Frente Negra Brasileira. Participa das Revoluções de 1930 e 1932, na qualidade de soldado. Combate a discriminação racial em estabelecimentos comerciais em São Paulo.

1936. Muda para o Rio de Janeiro com o objetivo de continuar seus estudos de economia, iniciados em São Paulo.

1937. Protestando contra a ditadura do Estado Novo, é preso e condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional e cumpre pena na Penitenciária da Frei Caneca.

1938. Organiza junto com um grupo de militantes negros em Campinas, SP, o Congresso Afro-Campineiro, com o objetivo de discutir e organizar formas de resistência à discriminação racial.

1938. Diploma-se pela Faculdade de Economia da Universidade do Rio de Janeiro.

1940. Integrante da Santa Hermandad Orquídea, grupo de poetas argentinos e brasileiros, viaja com eles pela América do Sul. Em Lima, Peru, faz uma série de palestras na Universidad Mayor de San Marcos (Escola de Economia). Assiste à peça O Imperador Jones, de Eugene O'Neill, estrelada por um ator branco, Hugo D'Evieri, brochado de preto. A partir das reflexões provocadas por esse fato, planeja criar o Teatro do Negro Brasileiro ao retornar a seu país. Na Argentina, onde mora por mais de um ano, participa de movimentos teatrais com o objetivo de melhor conceitualizar a idéia do Teatro Negro.

1941. Voltando ao Brasil, é preso na Penitenciária de Carandiru, condenado à revelia por haver resistido a agressões racistas em 1936. Funda o Teatro do Sentenciado, organizando um grupo de presos que escrevem, dirigem e interpretam peças dramáticas.

1943. Saindo da prisão, procura em São Paulo apoio para a criação do Teatro do Negro. Não encontrando receptividade junto a intelectuais como o escritor Mário de Andrade, e outros, muda para o Rio de Janeiro.

1944. Funda, com o apoio de um grupo de negros e de setores da intelectualidade carioca, o Teatro Experimental do Negro (TEN). Na sede da UNE, realizaram-se os primeiros cursos de alfabetização, treinamento dramático e cultura geral para os participantes da entidade.

1945. Dirige o TEN na sua estréia no Teatro Municipal com o espetáculo O Imperador Jones, estrelado pelo genial ator negro Aguinaldo Camargo, em 08 de maio, dia da vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Daí em diante, até 1968, o TEN teve presença destacada no cenário cultural e teatral brasileiro.

1945. Com um grupo de militantes, funda o Comitê Democrático Afro-Brasileiro, que luta pela anistia dos presos políticos.

1945-46. Organiza a Convenção Nacional do Negro (a primeira plenária realizando-se em São Paulo e a segunda no Rio de Janeiro), que propõe à Assembléia Nacional Constituinte a inclusão de um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como crime de lesa-Pátria. A iniciativa, apresentada à Assembléia Nacional Constituinte pelo Senador Hamilton Nogueira, não é aprovada.

1946. Participa da fundação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no Rio de Janeiro.

1948. Funda, junto com Sebastião Rodrigues Alves e outros petebistas, o movimento negro do PTB.

1949. Organiza, com a colaboração do sociólogo Guerreiro Ramos e do etnólogo Édison Carneiro a Conferência Nacional do Negro, preparatória do 1º Congresso do Negro Brasileiro.

1949-1951. Funda e dirige o jornal Quilombo, órgão de divulgação do TEN.

1950. Realiza no Rio de Janeiro o 1º Congresso do Negro Brasileiro, evento organizado pelo TEN.

1955. Realiza o Concurso de Artes Plásticas sobre o tema do Cristo Negro, evento polêmico que mereceu a condenação de setores da Igreja Católica e o apoio do bispo Dom Hélder Câmara.

1957. Forma-se na primeira turma do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Estréia a peça de sua autoria, Sortilégio: Mistério Negro, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e de São Paulo.

1968. Funda o Museu de Arte Negra, que realiza sua exposição inaugural no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Encontra-se alvo de vários Inquéritos Policial-Militares e se vê obrigado a deixar o país. Convidado pela Fairfield Foundation, inicia uma série de palestras nos Estados Unidos.

1968-69. Durante um semestre, atua como Conferencista Visitante da Yale University, School of Dramatic Arts. Inicia sua atuação como artista plástico, pintando telas que transmitem os valores da cultura religiosa afro-brasileira e da luta pelos direitos humanos dos povos africanos em todo o mundo. (Ver lista de exposições abaixo).

1969-70. Convidado pelo Centro para as Humanidades da Wesleyan University (Middletown, Connecticut), participa durante um ano, com intelectuais como Norman Mailer, Norman O. Brown, John Cage, Buckminster Fuller, Leslie Fiedler, e outros, do seminário A Humanidade em Revolta.

1970. É convidado para fundar a cadeira de Culturas Africanas no Novo Mundo, no Centro de Estudos Portorriquenhos da Universidade do Estado de Nova York em Buffalo, na qualidade de professor associado, no ano seguinte titular, e lá permanece até 1981.

1973. Participa da Conferência de Planejamento do 6º Congresso Pan-Africano em Kingston, Jamaica.

1974. Participa do Sexto Congresso Pan-Africano, Dar-es-Salaam, Tanzânia, como único representante da região da América Latina.

1976-77. Convidado pela Universidade de Ife, Ile-Ife, Nigéria, passa um ano como Professor Visitante no Departamento de Línguas e Literaturas Africanas.

1976. Participa, a convite do escritor Wole Soyinka, no Seminário Alternativas para o Mundo Africano, reunião em que funda-se a União de Escritores Africanos, em Dakar.

1977. Participa na qualidade de observador, perseguido pela delegação oficial do regime militar brasileiro, do Segundo Festival Mundial de Artes e Culturas Negras e Africanas, realizado em Lagos. Denuncia, no respectivo Colóquio, a situação de discriminação racista vivida pelo negro no Brasil. Na Europa e Estados Unidos, participa da fundação, desde o exílio, do novo PTB (mais tarde, Partido Democrático Trabalhista - PDT).

1977. Participa, na qualidade de delegado e presidente de grupo de trabalho, do Primeiro Congresso de Cultura Negra nas Américas, realizado em Cáli, Colômbia.

1978. Participa em São Paulo do ato público de fundação e das reuniões organizativas do Movimento Negro Unificado contra a o Racismo e a Discriminação Racial. Participa da reunião internacional de exilados brasileiros O Brasil no Limiar da Década dos Oitenta, em Stockholm, Suécia.

1979. A convite do Bloco Parlamentar Negro (Congressional Black Caucus) do Congresso dos Estados Unidos, e do Sindicato de Trabalhadores do Correio, profere conferência na sede da Câmara dos Deputados em Washington, D.C.

1980. Participa, na qualidade de delegado especial, do Segundo Congresso de Cultura Negra das Américas, realizado no Panamá, e é eleito pelo plenário Coordenador Geral do Terceiro Congresso. No Brasil, lança o livro O Quilombismo e ajuda a fundar o Memorial Zumbi, organização nacional voltada à recuperação, em benefício da comunidade afro-brasileira e do mundo africano, das terras da República dos Palmares, na Serra da Barriga, Alagoas.

1981. Funda o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO) na PUC-SP. Integra a executiva nacional do PDT e funda a Secretaria do Movimento Negro do PDT, no Rio de Janeiro e a nível nacional. Participa da coordenação internacional do projeto Kindred Spirits, exposição itinerante de artes afro-americanas.

1982. Organiza e é eleito para presidir o Terceiro Congresso de Cultura Negra das Américas, realizado nas dependências da PUC-SP com representantes de todo o mundo africano exceto o Pacífico.

1983. Assume a cadeira de Deputado Federal, eleito suplente pelo PDT-RJ. É o primeiro deputado afro-brasileiro a exercer o mandato defendendo os direitos humanos e civis do povo afro-brasileiro. A convite da ONU, participa do Simpósio Regional da América Latina em Apoio à Luta do Povo da Namíbia pela sua Independência, em San José, Costa Rica. Visita a antiga sede da UNIA de Marcus Garvey em Limón. Viaja também a Nicarágua, participando de sessões da Assemblea Nacional e conhecendo as populações de origem africana em Bluefields, litoral oriental do país. Em Washington, D.C., participa do seminário Dimensões Internacionais: a Realidade de um Mundo Interdependente, a convite do Bloco Parlamentar Negro (Black Congressional Caucus), na sede do Congresso Nacional dos Estados Unidos.

1984. Cria, junto com um grupo de intelectuais e militantes negros, a Fundação Afro-Brasileira de Arte, Educação e Cultura (FUNAFRO), integrando o IPEAFRO, o Teatro Experimental do Negro, a revista Afrodiaspora, e o Museu de Arte Negra.

1985. A convite da ONU, participa da Simpósio Mundial em apoio à Luta do Povo da Namíbia pela sua Independência, em Nova York. Participa, novamente, de reunião internacional patrocinada pelo Bloco Parlamentar Negro dos Estados Unidos: a Conferência Internacional sobre a Situação dos Povos do Terceiro Mundo, na sede do Congresso norteamericano em Washington, D.C. Integrando comitiva oficial brasileira, visita Israel a convite do respectivo governo.

1987. Participa, na qualidade de delegado de honra,da Conferência Internacional sobre a Negritude e as Culturas Afro nas Américas, Florida International University, Miami. Integra o Conselho de Contribuintes do Município do Rio de Janeiro.

1987-88. Integra o Comitê Dirigente Internacional, Festival Pan-Africano de Artes e Cultura, Dakar, Senegal. Participa da direção internacional do Memorial Gorée, organização dedicada ao projeto de construção de um memorial aos africanos escravizados na ilha senegalesa que serviu como entreposto do comércio escravista. Integra a direção internacional do Instituto dos Povos Negros, organização internacional promovida com o apoio da UNESCO pelo governo de Burkina Faso e de outros países africanos e caribenhos.

1988. Profere a conferência inaugural da Série Anual de Conferências Internacionais W. E. B. DuBois em Accra, República de Gana, promovida pelo Centro de Estudos Pan-Africanos W. E. B. DuBois, e visita o país a convite do governo. Participa da Comissão Nacional para o Centenário da Abolição da Escravatura. Realiza exposição individual intitulada Orixás: os Deuses Vivos da África, na sede do Ministério da Educação e Cultura, o Palácio Gustavo Capanema.

1989. Na qualidade de consultor da UNESCO para assuntos culturais, passa um mês em Angola. É eleito Presidente do Memorial Zumbi e atua no Conselho de Curadores da Fundação Cultural Palmares, Ministério da Cultura. É nomeado Conselheiro representante do Município no Conselho de Contribuintes do Município do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Fazenda.

1990. A convite da SWAPO (movimento de libertação nacional transformado em partido político eleito ao primeiro governo da nação), participa da cerimônia de independência da Namíbia e posse do Governo Sam Nujoma, em Windhoek.

1990-91. Durante um ano atua como Professor Visitante, Departamento de Estudos Africano-Americanos, Temple University, Philadelphia. Acompanha Darcy Ribeiro e Doutel de Andrade na chapa do PDT para o Senado, sendo eleito suplente de senador.

1991. Assume a pasta de Secretário de Estado para a Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (SEAFRO) no Governo do Rio de Janeiro. A convite do Congresso Nacional Africano (ANC) da África do Sul, participa de sua 48a Conferência Nacional presidido por Nelson Mandela, em Durban. É nomeado membro do Conselho de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.

1991-92. Assume a cadeira no Senado. Integra a comitiva presidencial em visita a Angola, Moçambique, Zimbabwe, e Namíbia. Participa no Primeiro Congresso Internacional sobre Direitos Humanos no Mundo Africano, patrocinado pela organização não-governamental AFRIC e realizado em Toronto, Canadá.

1993-94. Retoma a Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras.

1995. Participa das atividades do Tricentenário de Zumbi dos Palmares, em vários estados e municípios do Brasil e nos Estados Unidos. Lança o livro Orixás: os Deuses Vivos da África, com reproduções de suas pinturas, texto sobre cultura e experiência afro-brasileiras, e textos críticos de diversos autores (africanos, norteamericanos, caribenhos, e brasileiros) sobre a sua obra de artes plásticas. É Patrono do Congresso Continental dos Povos Negros das Américas, realizado no Parlamento Latinoamericano em São Paulo, em comemoração ao Tricentenário da Imortalidade de Zumbi dos Palmares, 20 de novembro de 1995.

1996. Recebe da Câmara Municipal de São Paulo o título de Cidadão Paulistano.

1997. Assume em caráter definitivo o mandato de senador da República. Recebe o prêmio de Menção Honrosa de Direitos Humanos outorgado pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP. Realiza exposição de pintura no Salão Negro do Congresso Nacional.

1998. Participa com um comentário ao Artigo 4º da Declaração de Direitos Humanos por ocasião do cincoentenário desse documento da ONU em 1998, incluído em volume organizado e publicado pelo Conselho Federal da OAB. Outros artigos foram comentados por personalidades como o rabino Henry Sobel, Adolfo Pérez Esquivel, Evandro Lins e Silva, Dalmo de Abreu Dallari, João Luiz Duboc Pinaud, e outros. Realiza exposição de pintura (28 telas) na Galeria Debret em Paris.

1999. Assume, como titular fundador, a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania do Governo do Estado do Rio de Janeiro. É homenageado pela Câmara Municipal de Salvador entre cinco personalidades do mundo africano: Malcolm X, Abdias Nascimento, Martin Luther King, Patrice Lumumba, Samora Machel.

2000. Extinta a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, preside provisoriamente o Conselho de Direitos Humanos e volta a dedicar-se às atividades de escritor e pintor. Recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia.

2001. É agraciado pelo Schomburg Center for Research in Black Culture, centro de referência mundial que integra o sistema de bibliotecas públicas do município de Nova York, com o Prêmio Herança Africana comemorativo dos 75 anos da fundação daquela instituição. A comissão de seleção dos premiados foi constituída pelo ex-prefeito de Nova York, David N. Dinkins, a poetisa Maya Angelou, o cantor Harry Belafonte, o ator Bill Cosby, a diretora da editora Présence Africaine Mme. Yandé Christian Diop, o professor Henry Louis Gates da Harvard University, a coreógrafa Judith Jamison, o cineasta Spike Lee e o reitor da Universidade das Antilhas Rex Nettleford. As outras cinco personalidades homenageadas com o prêmio em cerimônia realizada na sede da ONU foram o intelectual senegalês e ex-diretor da UNESCO M. Amadou Mahktar M'Bow, a coreógrafa e antropóloga Katherine Dunham, a ativista dos direitos civis e fundadora da Organização das Mulheres Negras dos Estados Unidos Dorothy Height, o fotógrafo Gordon Parks, e músico e fotógrafo Billy Taylor.

Convidado pela Fórum Nacional de Entidades Negras, faz o discurso de abertura da 2ª Plenária de Entidades Negras Rumo à 3ª Conferência Mundial Contra o Racismo, Rio de Janeiro, 11 de maio de 2001.

É agraciado com o Prêmio Cidadania 2001, da Comunidade Bah'ai do Brasil, conferido em Salvador em junho.

Inaugura-se em julho o Núcleo de Referência Abdias Nascimento, contra o Racismo e o Anti-Semitismo, e seu Serviço Disque-Racismo, iniciativas da Fundação Municipal Zumbi dos Palmares, Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro.

Profere discurso de abertura do 1º Encontro Nacional de Parlamentares Negros, Salvador, Bahia, 26 de julho de 2001.

Convidado pela Coalizão de ONGs da África do Sul (SANGOCO), profere palestra na mesa Fontes, Causas e Formas Contemporâneas de Racismo, Fórum das ONGs, 3ª Conferência Mundial Contra o Racismo, Durban, África do Sul, 28 de agosto de 2001.

É agraciado com a Ordem do Rio Branco, no grau de Oficial, Brasília, outubro de 2001.

É agraciado com o Prêmio UNESCO, categoria Direitos Humanos e Cultura de Paz, outubro de 2001.

2002. Lança os livros O Brasil na Mira do Pan-Africanismo (CEAO/ EdUFBA) e O Quilombismo, 2ª ed. (Fundação Cultural Palmares).

É convidado pelo Liceu de Artes e Ofícios da Bahia a ser o palestrante da segunda de suas novas Conferências Populares, continuando essa tradição centenária no seu 130o aniversário.

Participa das comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra em Porto Alegre, 20 de novembro.

É homenageado pela Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia, na sua 4ª Conferência Nacional realizada em Brasília em 11 de dezembro, como personalidade destacada na história dos direitos humanos no Brasil.

Exposição Abdias do Nascimento: Vida e Arte de um Guerreiro, Centro Cultural José Bonifácio, Rio de Janeiro, inaugurada em dezembro.

2003. Discursa, na qualidade de convidado especial, na inauguração da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Brasília, 21 de março.

É homenageado pela Fala Preta! Organização de Mulheres Negras de São Paulo, como personalidade destacada na defesa dos direitos humanos dos afrodescendentes brasileiros, 22 de abril.

Publica em maio edição em fac-símile do jornal Quilombo (São Paulo: Editora 34).

Recebe o Diploma da Camélia, Campanha Ação Afirmativa/ Atitude Positiva, CEAP e Coalizão de ONGs pela Ação Afirmativa para Afrodescendentes, Rio de Janeiro, 17 de novembro.

Recebe o Prêmio Comemorativo das Nações Unidas por Serviços Relevantes em Direitos Humanos, Rio de Janeiro, 26 de novembro.

2004. No Seminário Internacional Políticas de Promoção Racial, recebe o Prêmio de Reconhecimento da Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Brasília, 21 de março de 2004.

Recebe homenagem da Presidência da República aos 90 anos "do maior expoente brasileiro na luta intransigente pelos direitos dos negros no combate à discriminação, ao preconceito e ao racismo". Brasília, 21 de março de 2004.

Recebe prêmio de Reconhecimento 10 Years of Freedom - South Africa 1994-2004, do Governo da África do Sul, abril de 2004.

Profere palestra "Memorial de Luta", no Seminário O Negro na República Brasileira: Pautas de Pesquisa, promovido pelo Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afro-Descendente da PUC-Rio, maio de 2004.

Participa do VII Congresso da BRASA, Associação de Estudos Brasileiros, na qualidade de homenageado no Painel sobre a sua vida e obra, realizado em sessão plenária do dia 10 de junho de 2004, na PUC-Rio.

Participa do Fórum Cultural Mundial, realizado em São Paulo em julho de 2004, como homenageado no painel Abdias Nascimento, um Brasileiro no Mundo, organizado pela SEPPIR, em que é lançado oficialmente o seu nome para o prêmio Nobel da Paz, ampliando a repercussão da indicação feita pelo Instituto de Advocacia Ambiental e Racial - IARA.

 

Assista vídeo onde Abdias fala sobre sua militânca

 





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Maria Olina Souza Comentário de Maria Olina Souza 3 minutos atrás
Adeus mestre.
Continue nos inspirando do outro plano.
O movimento negro sem vc não "seria".
O povo afromundial sem vc não "seria".
Bárbara Milher Comentário de Bárbara Milher 34 minutos atrás

Perda lamentável... Grandes obras e ensinamentos deixados...

Cély Leal Comentário de Cély Leal 51 minutos atrás

É com muita tristeza que recebemos esta notícia. Parte um grande guerreiro nos deixando  enorme ensinamento.

Os Deuses e os Orixás estão lhe abençoando, sempre.

Patricia Brito dos Santos Comentário de Patricia Brito dos Santos 56 minutos atrás
O que nos conforta é a certeza que, seu legado ficará em cada um de nós.
 
 



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Vitor Pordeus
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domingo, 17 de abril de 2011

RolaNet: Ignorância acadêmica & bullying cognitivo bz

Artista plástico de projeção internacional, médico e cientista formado nos melhores centros de Nova York e Paris, Professor de Bioquímica da Fac. Med. da UFC. Vive em Fortaleza.
Abraços,
V. Pordeus

---------- Forwarded message ----------
From: Hélio Rola <heliorola@uol.com.br>
Date: 2011/4/17
Subject: Ignorância acadêmica & bullying cognitivo bz
To: HRUol <heliorola@uol.com.br>





Jardim Semmelweis #2
Semmelweis afirmou, "o dever mais alto da medicina é salvar vidas humanas ameaçadas e a obstetrícia é o ramo da medicina no qual este dever se cumpre de modo mais evidente.... Num parto com apresentação pélvica, provavelmente a mãe e o filho faleceriam se deixados à natureza, entretanto a ajuda oportuna do obstetra pode salvar ambos, quase sem dor, em poucos minutos.... Lamentavelmente, o número de casos nos quais o obstetra alcança tais benefícios é insignificante se comparado ao número de vítimas da febre puerperal....Semmelweis IP. The etiology, concept, and prophylaxis of childbed fever. (Extract of Carter KC). Madison, The University of Wisconsin Press. Pag 55-70, 1983.
 Semmelweis enfrentou inúmeros problemas em sua atribulada existência. Era natural de um país dominado política e culturalmente, sofrendo todas as conseqüências de discriminações étnicas em seu ambiente universitário. Suas principais conclusões questionavam conceitos tradicionais que eram defendidos em sua escola, além da própria capacidade dos ensinamentos poderem ser aplicados na resolução de problemas relacionados à prática profissional. Dar razão a Semmelweis seria admitir que um assistente originário de uma simples colônia pudesse suplantar os expoentes do saber de uma das maiores potências européias do século XIX. http://www.ccih.med.br/semmelweis.html
Ignorância acadêmica & bullying cognitivo
A história das ciências, em seus múltiplos domínios, nos diz que a busca da "verdade", isto é, do conhecimento "objetivo", no dizer equivocado de muitos, resulta, no mais das vezes, em dor física e miséria espiritual para os seus seguidores...Giordano Bruno, Galileu...Oppenheimer, Boltzman? Nós?...A violência da rivalidade, que nem um Tsunami de ódio, se espalha e a todos vitima ...Sejam eles chefes ou vassalos...Pensando bem podemos dizer que  a academia não é, como se diz, um espaço de luz angelical e democrática feito para o regozijo da novidade experimentalmente construída, inventada, feita à mão, a muitas mãos mal pagas, bem pagas? que se abre para o bem e também para o mal do mundo que parece não ter fim...Ao contrário, a academia é um espaço diabólico, robótico, asilo recursivo dos demônios de Maxwell e berço de  Frankenstein. Sangue bom, a academia é também sangue quente, termodinâmica & holocausto, teórica, astuciosa e explosiva, e também cruel; Princeton explode, atomiza e cobre os mortos de Hiroshima e Nagasaki com densa e duradoura poeira  radiativa...O ódio destrutivo tudo vence? A academia deixou de ser o espaço para a convivência criativa e livre, cidadã,  para se tornar  um antro dominado por doutas gangues cognitivas e beligerantes, ávidas de poder, que ditam o tom emocional do cotidiano a ser vivido...  Sempre às escuras, ela não tem pressa e tateia, às vezes,  iluminada somente  pelo débil facho de luz monocromática que emana do poder power-point...A única luz a reinar na aula apagão...Quem duvida? A academia   se pensa grande mas ela é  pequena e, o pior,  super-dividida em múltiplas  mini celas opressivas, mal cheirosas e sobrecarregadas, sem janelas para ver a flor e  o mar lá fora...Com seus botões...cada cela fala para si mesma, trocada em miúdos, uma ladainha sem fim, numa língua cifrada e estranha...Paper!?...A ciência fala Babel e sem ter para onde ir a academia não sai do seu nada, fecha-se sobre si mesma...e assim morre todo dia...O que seria uma ciência sempre viva? 
Saudações da pARTE do Hélio Rôla

A teoria da ciência 
"A teoria da ciência está sempre tão próxima 
quanto se deseja da teoria da dominação que ela produz
...conhecer é praticar um exercício involuído
dentro da ideologia do comando e da obediência..".
Michel Serres em Hermes
Uma Filosofia das Ciências Ed Graal

terça-feira, 22 de março de 2011

Espírito científico bz






Espírito científico
O mundo moderno com todo seu poderio, seu prodigioso capital tecnológico, sua absoluta disciplina no tocante a métodos científicos e práticos jamais conseguiu prover-se de um sistema político, um código moral, um ideal ou um código de leis civis e penais em harmonia com os modos de vida que ele criou ou até mesmo com os modos de raciocínio que vem sendo gradualmente impostos a todos os homens por meio da ampla disseminação e desenvolvimento de uma forma de espírito científico.
 Paul Valéry (1932) 



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sexta-feira, 11 de março de 2011

A Farra de Baco não será televisionada.



São imagens que coletei em diferentes sites que foram deliberadamente ignoradas pela transmissão "ao vivo" do que deveria ser a maior manifestação da cultura popular do planeta, além das imagens belíssimas, de humor, brincadeira e carnaval suprimidas, não foi noticiado que o importante diretor e teatrólogo brasileiro Amir Haddad estava no alto do carro, junto a estátua de Dionísio, deus do teatro, do vinho e da fertilidade. Enquanto a celebridade contratada L. Hassum foi exclusivamente mostrada. O que será isso? Controle ideológico das imagens de uma festa popular? Edição do conteúdo de um espetáculo público? E a liberdade? É liberdade de imprensa só para os abusos da Mídia? Com a expressão artística e cultural do desfile carnavalesco, o controle é goebbelliano, eletrônico e científico? Além da péssima qualidade da narração do desfile com comentários superficiais e ignorantes sobre o carnaval. Além de influenciar no gosto tiete que tem o carnaval carioca, celebridades vazias que vendem a alma da nação aos interesses dos piores dos bandidos os políticos vis lacaios da empresas nacionais e multinacionais. Quais são os interesses que norteiam a seleção das imagens do carnaval para serem exibidas?
Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, e que a voz da igualdade, seja sempre a nossa voz. Evoé (grite, em grego) Rio de Janeiro!